““tenho de me refazer continuamente com o que ainda há: estas palavras cujo sentido é o de serem suporte de outras palavras, e através das quais choro, perco-me, amo, reencontro-me. São elas que me dão peso, nestes tempos frios em que preciso de me orientar no interior de uma solidão que me afugenta como uma doença contagiosa. Porque não tenho nenhum dos sinais medonhos da proximidade: família, a eficácia dos gestos, a contabilidade do mundo. Eu, que me julguei corajoso, devia ter a coragem de desistir, para que não te degrades. No entanto, o que vai acontecer, é a tua progressiva destruição, até não seres mais do que um resíduo.””