Amor Quote by Mário de Sá-Carneiro
““— Ah! meu caro Lúcio, acredite me! Nada me encanta já; tudo me aborrece, me nauseia. Os meus próprios raros entusiasmos, se me lembro deles, logo se me esvaem — pois, ao medi-los, encontro os tão mesquinhos, tão de pacotilha… Quer saber? Outrora, à noite, no meu leito, antes de dormir, eu punha-me a divagar. E era feliz por momentos, entressonhando a glória, o amor, os êxtases… Mas hoje já não sei com que sonhos me robustecer. Acastelei os maiores… eles próprios me fartaram: são sempre os mesmos — e é impossível achar outros… Depois, não me saciam apenas as coisas que possuo — aborrecem-me também as que não tenho, porque, na vida como nos sonhos, são sempre as mesmas. De resto, se às vezes posso sofrer por não possuir certas coisas que ainda não conheço inteiramente, a verdade é que, descendo-me melhor, logo averiguo isto: Meu Deus, se as tivera, ainda maior seria a minha dor, o meu tédio. De forma que gastar tempo é hoje o único fim da minha existência deserta. Se viajo, se escrevo — se vivo, numa palavra, creia-me: é só para consumir instantes. Mas dentro em pouco — já o pressinto — isto mesmo me saciará. E que fazer então? Não sei… não sei… Ah! que amargura infinita…””
About This Quote
Source Novel: A Confissão de Lúcio by Mário de Sá-Carneiro, 1911
The narrator feels deep existential ennui, finding both possessions and lack of them equally unsatisfying, leading to a life of consuming moments without lasting purpose.
In simple terms: Life feels empty; nothing satisfies.
Seek meaning beyond fleeting distractions.
Themes
Mood
Type
When to use this quote
- late‑night introspection
- creative writing
- travel
- reading
- personal crisis
Key Concepts
Questions to Reflect On
- What would give your life lasting fulfillment?
- How can you transform boredom into creative energy?
The despair may stem from an inability to engage with deeper values beyond surface experiences.